
Imagina que alguém tenha lhe feito muito, muito mal a você. Imagine que você tenha perdido incontáveis noites de sono e atravessando dias de sol com a alma sombria, atormentado pelos efeitos do que lhe fizeram. Agora imagine que, por uma dessas voltas que o mundo dá, dias, semanas, meses, anos depois, você e essa pessoa se cruzem mais uma vez, em posições diferentes. Imagine que bastaria um telefonema, um recado, uma carta ou ate mesmo um email seu para acabar com essa pessoa, e que ela sequer saberia quem foi seu algoz, a não ser que você quisesse. A mais retumbante das vinganças estava a um passo de distancia.
Faço ou não faço? Freei minha natural impulsividade e me pus a pensar. Eu acredito na lei de ação e reação. Acredito que o que você faz para os outros volta para você, inexoravelmente. A consequência está subordinada à intenção: há quem cometa o maior dos estragos sem ter desejado agir daquela forma e há aqueles que, com meia dúzia de palavras, agem com o intuito de magoar, de cortar fundo, de humilhar.
Intenção é algo que, está fora do alcance da justiça humana, portanto somente a lei divina (ou natural) de causa e efeito promove esse retorno. A pessoa que me feriu, com intenção assumida por ela própria vai sofrer o tanto que eu sofri: essa é a lei. Porém, eu devo ser o agente desse sofrimento? Nãooooo.
Se eu agisse nesse sentido, a responsabilidade seria minha e, no futuro, talvez nem tão distante, eu sofreria o retorno do meu ato. Por mais tentadora que a oportunidade fosse, eu optei, racionalmente, por frear meu desejo de vingança.
O impacto devastador das palavras é algo que precisa ser constantemente analisado por aqueles que dela fazem uso, ou seja, todos nós. Um "sinto muito" sibilado sem muita precisão as vezes seria suficiente para cortar o mal pela raiz. Afinal, quem é perfeito nesse mundo para jamais dizer "me desculpe, eu errei"?
Claro: há muitos que não assumem, mesmo sabendo que erraram; há outros que insistem em ridicularizar quem confessa um erro ou outros, ainda, que torcem palavras, que fingem não entender, que desvirtuam oque você falou na tentativa de te ferir.
Oque fazer se ainda não conseguimos perdoar? Nadaaaa.
A lei de causa e efeito, pesa o coração das pessoas e, conforme o resultado, decreta a medida do retorno. Como dizia um antigo ditado: "Senta na curva do rio e espera o cadáver do seu inimigo passar boiando". Pode crer: ele vai passar.
Para terminar vou citar um acontecimento, acho que todo mundo vai lembrar dessa noticia.
Anos atrás, Jô, uma mulher com mais de quatrocentos quilos, foi retirada de sua casa pelos bombeiros a fim de ser internada num spa. Uma equipe de TV acompanhou a sua remoção. Ao ser questionada sobre oque mais queria, Jô, cheia de esperança, respondeu: "Ficar com 60 quilos". Nisso ao fundo um elemento cantou com ironia: "Sonho meu, sonho meu...".
A única vingança que Jô poderia fazer era desejar a sua vitoria contra aquela criatura sórdida que a espezinhou. Porem algum tempo depois Jô faleceu sem realizar seu desejo.
Será que não foi a ironia daquele homem, que deve ter se achado muito espirituoso, muito inteligente, muito superior, que começou a matar Jô?
" O impacto devastador das palavras é algo que precisa ser constantemente analisado por aqueles que dela fazem uso, ou seja, todos nós"
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